Bahia deve receber R$ 30 bilhões em energia renovável até 2030, diz presidente da FIEB

O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Carlos Henrique Passos, afirmou que a indústria baiana já vive um processo de modernização impulsionado por inovação, sustentabilidade e transição energética. Em entrevista exclusiva ao Jornal Correio, o dirigente destacou investimentos em energias renováveis, infraestrutura, qualificação profissional e fortalecimento das cadeias produtivas como pilares para ampliar a competitividade da Bahia nos próximos anos.

Carlos Henrique Passos: Essa nova gestão nasce sob o princípio da construção coletiva, com sindicatos e lideranças empresariais, fortalecendo o Sistema FIEB como uma rede integrada em favor da competitividade e sustentabilidade da indústria. Elaboramos uma agenda estratégica para o quadriênio 2026-2030, estruturada em eixos como melhoria do ambiente de negócios, investimento em educação alinhada às demandas industriais, fortalecimento do ecossistema de inovação, superação de gargalos logísticos e energéticos, promoção de práticas sustentáveis e estímulo ao associativismo e à diversificação produtiva.

A Bahia possui vocação industrial diversificada, com destaque para setores como petroquímica, mineração, alimentos, energia e logística. Quais cadeias produtivas o senhor acredita que terão maior potencial de crescimento e atração de investimentos até o fim desta década?

As cadeias com maior potencial de crescimento e atração de investimentos na Bahia até o fim desta década tendem a ser aquelas ligadas à transição energética, à bioeconomia, à mineração estratégica, à petroquímica sustentável e à agroindústria.

As cadeias globais de valor, lideradas por grandes empresas, vêm ampliando suas exigências por sustentabilidade e pelo uso de energias renováveis. Isso abre uma janela de oportunidade importante para o Brasil e, no caso da Bahia, converge com vantagens relevantes do estado. Um dos destaques está nos biocombustíveis, incluindo etanol de milho, derivados da soja, diesel verde, querosene de aviação sustentável e biometano.

Na mesma direção, a disponibilidade de ventos constantes e a elevada radiação solar têm impulsionado a geração de energia elétrica renovável no estado. Esse potencial pode sustentar a expansão da oferta energética e atrair atividades intensivas em energia, como data centers e novos empreendimentos industriais.

Nos setores industriais tradicionais, como o Polo de Camaçari, a tendência é avançar para modelos produtivos mais sustentáveis, com foco na descarbonização, na eficiência energética e na produção de insumos petroquímicos de base renovável.

A mineração também desponta como vetor relevante, especialmente diante da crescente demanda por minerais críticos e terras raras, fundamentais para as cadeias associadas à transição energética e às novas tecnologias. Além disso, a agroindústria e a logística devem continuar tendo papel estratégico, tanto pela capacidade de agregar valor à produção regional quanto pela necessidade de integrar melhor a Bahia aos mercados nacionais e internacionais.

Fonte: Correios 24h

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